
Bruna Olivera
Sócia da compasso
Comecei a trabalhar no primeiro semestre da graduação em Administração na UFRGS e só parei na formatura. Foram cinco anos conciliando emprego, faculdade, centro acadêmico, a estruturação da Enactus UFRGS e a atlética. Foi nesse ritmo que aprendi a tocar projetos com gente e encontrei a área que viraria minha profissão: gestão de pessoas.
A virada aconteceu no Centro Administrativo Sicredi (CAS). Entrei como estagiária, dando suporte a uma gerência de sete analistas seniores e especialistas em clima, cultura, educação corporativa, performance e sucessão. Saí como analista júnior, tocando projetos que chegavam a cerca de 24 mil colaboradores, como a atualização da avaliação de desempenho e um site de carreiras para mobilidade interna. Trabalhar num ecossistema de cooperativas autônomas e centrais regionais me ensinou a ponderar, argumentar e adaptar projetos a realidades muito diferentes. Também saí convencida de que RH bem feito é um sistema, e não uma coleção de programas.
Levei essa visão para o Agibank, onde assumi projetos que a empresa tinha contratado, mas não tinha quem conduzisse. Construí do zero a avaliação de performance e o site de carreiras, revitalizei a universidade corporativa e coordenei um diagnóstico de potencial com mais de 3 mil pessoas, que identificou cerca de 200 potenciais em todo o Brasil. Fui promovida em nove meses.
Depois vieram contextos bem diferentes. Na Alright, uma adtech, fui a primeira profissional de RH e atravessei com a empresa a migração para o trabalho remoto na pandemia. Na Movidesk, uma scale-up que cresceu de cerca de 90 para 190 pessoas no período, coordenei educação corporativa, desempenho, remuneração e people analytics. Criei a Universidade Movidesk, que chegou a 20 mil matrículas, e um programa de reconhecimento em que mais de 95% das concessões passaram a seguir critérios e orçamento definidos. Também permaneci na empresa durante a aquisição pela Zenvia. Na Whaticket, um SaaS com operação em quatro países, fundei o RH e conduzi o crescimento do time de 20 para 38 pessoas, período em que a empresa saiu de 3 mulheres para uma divisão 50/50 de gênero. Um ano depois, fui promovida a CEO. Durante minha gestão, a margem líquida passou de 30% para 40% e o ARR, de US$ 3,5 milhões para US$ 5 milhões. Ao todo, estruturei a área de pessoas do zero em duas empresas.
Liderar uma empresa inteira mudou meu jeito de olhar para o RH. Estrutura de cargos, níveis e carreira não é tema “do RH”: é decisão de negócio. Afeta quanto a empresa gasta, quem fica, quem sai e com que velocidade ela consegue crescer sem se desorganizar.
Foi dessa constatação que nasceu a compasso. Com o Caio, com quem trabalhei no Agibank, ajudo empresas a organizar cargos, salários, carreira e estrutura organizacional. Quis unir num só serviço a profundidade técnica de RH e a visão de quem já respondeu por margem e receita. Também enxergo uma lacuna: muitas empresas tratam arquitetura de cargos como planilha, e não como a base do crescimento. Na consultoria, posso levar isso a várias empresas ao mesmo tempo. Quem trabalhou comigo costuma destacar duas coisas: método e visão de negócio. Começo pelo contexto real da empresa, e não pelo modelo da moda, e prefiro entregar algo que o time use no dia seguinte a um documento bonito que vai para a gaveta.
Fora do trabalho, minha maior curiosidade são os idiomas. Filha de pai uruguaio, cresci com o português e o espanhol como línguas nativas. Sou fluente em inglês, tenho francês básico e, no momento, estou aprendendo coreano, por culpa dos doramas, do k-pop e do cinema coreano. Acho que essa obsessão por linguagem conversa com o que faço: dar nome certo às coisas é metade do trabalho de arquitetar cargos.
Quase sempre tenho um podcast ou audiobook tocando, quase sempre de true crime ou jornalismo, enquanto organizo a casa, bordo em papel ou tecido ou pinto em tela ou papel. Meus temas preferidos são flores, natureza, pets e retratos. Divido a rotina com três cachorros: a Nina, uma chihuahua de 16 anos; o Floquinho, um vira-lata de 7; e o Ghost, um samoieda de 2. São três gerações e três personalidades bem diferentes. O resto do tempo é de família e amigos.
trajetória completa.
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2023–2026 WhaticketHead de People (2023–2024), CEO (2024–2026)
A Whaticket tem quatro sócios, dois brasileiros e dois peruanos. Dois deles atuavam ativamente na empresa, um como CEO, que também conduzia de forma informal a liderança e as contratações. Quando cheguei, eram cerca de 20 pessoas e não havia RH.
Comecei pelo recrutamento, seleção e onboarding. No período de contratação mais intenso, o time quase dobrou, de 20 para 38 pessoas, e a empresa saiu de 3 mulheres para uma divisão 50/50 de gênero. Cerca de 80% dessas contratações passaram pelo processo estruturado: triagem profissional, conversas com RH, liderança e pares, e um comitê de contratação em que prevalecia a decisão conjunta de todos os envolvidos. O objetivo era a qualidade das contratações e a manutenção de um turnover que já era baixo, e não a velocidade.
Formei uma equipe de duas profissionais com base em recrutamento, que aprenderam comigo os demais subsistemas: acompanhamento de lideranças como HRBP, clima, cultura, desempenho e reconhecimento. Assim como na Movidesk, mais de 95% dos reconhecimentos passaram a seguir os critérios e o orçamento definidos. Criamos in-house, com dados de mercado comparáveis, toda a estrutura de remuneração, níveis, cargos e arquitetura. Também fiz diversas propostas de design organizacional conforme a empresa crescia e o negócio mudava de rumo. A operação se estendia por Brasil, Argentina, Peru e México.
Em 2024, depois de um ano como Head de People, fui promovida a CEO. Meu foco era apoiar as lideranças, com forte viés de gestão de pessoas, mas também olhando para eficiência da operação e melhoria do trabalho. Até 2026, a margem líquida passou de 30% para 40% e o ARR evoluiu de US$ 3,5 milhões para US$ 5 milhões.
2021–2023 MovideskPeople Leader
Fui convidada pela Alejandra Nadruz, uma ex-liderança, para a Movidesk, uma scale-up que cresceu de cerca de 90 para 190 colaboradores durante minha passagem e que precisava profissionalizar o RH por demanda dos grupos de investimento que apostavam na empresa. A área já tinha pessoas, mas sem especialização nem experiência com processos e projetos estruturados. Entrei como coordenadora de educação corporativa, gestão de desempenho, remuneração e people analytics. Desenvolvi quem já estava no time e contratei novos profissionais para dar conta de tudo que precisava ser construído.
A Universidade Movidesk atendia colaboradores, clientes e leads e chegou a 20 mil matrículas. Lançamos três trilhas completas, todas desenvolvidas internamente. A primeira foi de desenvolvimento de lideranças, com cerca de seis cursos ministrados por diretores e gerentes da empresa. A segunda foi de atendimento ao cliente e a terceira, de liderança em atendimento, as duas construídas com colaboradores das áreas correspondentes.
Também estruturei o programa de reconhecimento, com prazos, orçamento previsível e critérios bem definidos, coordenado com todas as lideranças. Depois de implantado, mais de 95% dos reconhecimentos passaram a acontecer dentro dos critérios e do orçamento. Quando a Zenvia adquiriu a Movidesk, fui mantida no time, apresentei a estrutura da universidade corporativa e propus adaptações da realidade da Movidesk para a da Zenvia.
2019–2021 AlrightPrimeira profissional de RH da empresa
A Alright, uma adtech de publicidade online, não tinha ninguém dedicado a RH. Eram três sócios atuando ativamente em áreas diferentes e algumas lideranças ainda em formação. Fui a primeira profissional de carreira em gestão de pessoas da empresa e criei todos os processos do zero.
Comecei por recrutamento, seleção e onboarding. Depois, montei uma estrutura de remuneração, com identificação e sustentação de cargos, e passei a atuar como business partner, com reuniões individuais semanais com cada liderança, focadas no desenvolvimento da equipe e da organização. Fiquei pouco mais de um ano, em plena pandemia, e conduzi a migração do trabalho 100% presencial para o 100% remoto, incluindo a desocupação da sede física.
2018–2019 AgibankRemuneração e performance
Um projeto em parceria com a área de remuneração me aproximou de profissionais que depois me indicaram para o Agibank. O banco já tinha contratado um sistema de avaliação de performance e começado um site de carreiras, mas faltava quem conduzisse os dois projetos. Entrei na coordenação de remuneração e performance para isso.
Na avaliação de performance, construímos do zero as competências e os comportamentos observáveis, em parceria com o time de business partners. O site de carreiras foi desenvolvido com a Weef como parceira externa e com muita colaboração dentro da coordenação, incluindo o algoritmo de comparação entre cargos criado pelo Caio para mostrar as possibilidades de mobilidade interna. Também coordenei o diagnóstico de potencial de todo o banco: mais de 3 mil pessoas avaliadas, com participação das lideranças, assessment e calibração dos dados por algoritmo. O resultado foi a identificação de cerca de 200 potenciais em todo o Brasil, que depois passaram por desenvolvimento. Completei o ciclo com a revitalização da universidade corporativa, incluindo a migração de mais de 300 cursos, um trabalho que fiz com o Caio.
Em todos esses projetos, atuei como gestora: controlava cronogramas, fazia propostas e adaptações, apresentava para diferentes níveis hierárquicos, articulava áreas distintas e respondia pelo lançamento e pela implementação. Fui promovida de Analista I para Analista II em nove meses.
2017–2018 SicrediEstágio e analista júnior de gestão de pessoas
Comecei como estagiária, dando suporte a todos os analistas da gerência de desenvolvimento de pessoas. Era uma posição privilegiada: eu enxergava ao mesmo tempo vários subsistemas de RH, em projetos já em andamento, e entendia como um dependia do outro. Trabalhar ao lado de profissionais mais experientes, dentro de um ecossistema de cooperativas autônomas e centrais regionais, fortaleceu minha capacidade de ponderação, argumentação e adaptação de projetos.
Como analista júnior, ajudei a reformular o onboarding corporativo, acompanhei a atualização da formação básica e desenvolvi formações funcionais para as áreas de negócio e comercial. No projeto de atualização da avaliação de desempenho, criamos um banco de atividades sugeridas para desenvolver cada competência observável. Depois, adaptamos o sistema para que o banco ficasse disponível a todos os usuários. Também participei do projeto de carreiras: uma página web que apresentava, em formato de organograma, os níveis e setores do banco, para que as pessoas enxergassem suas possibilidades de mobilidade interna. Tudo o que criávamos chegava a cerca de 24 mil colaboradores.